Capítulo 10 de 16
Quando não respondem
Esta é a parte do guia que provavelmente o trouxe aqui. A regra geral é subir um degrau de cada vez, guardar prova de tudo e nunca saltar para o topo, porque uma queixa apresentada antes de esgotado o caminho normal costuma ser devolvida ao ponto de partida e faz perder meses.
- Pedido ao serviço competente
Por escrito, mesmo depois de um telefonema. Guarde cópia, data e comprovativo de envio. Um telefonema não existe para efeitos de prova. - Requerimento formal ao presidente da câmara
Se não houver resposta em tempo razoável, apresente requerimento formal dirigido ao presidente da câmara, com número de entrada, invocando o dever de decisão que impende sobre a administração e pedindo resposta escrita fundamentada. É neste degrau que a maior parte dos casos se resolve, porque passa a existir um processo com prazo. - Exposição ao executivo e à assembleia municipal
As reuniões de câmara e as sessões da assembleia municipal têm, em regra, período de intervenção do público. Uma exposição escrita, entregue e lida, muda a natureza do assunto, porque passa a constar em ata. Um pedido subscrito por várias pessoas do concelho tem aqui um peso muito superior ao de um pedido individual. - Exposição à DGAV
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária é a autoridade nacional competente em matéria de bem-estar animal. Este degrau reserva-se para os casos em que os anteriores falharam e a situação tem gravidade objetiva, designadamente quando há animais em risco ou incumprimento continuado. Uma exposição à DGAV descreve factos, junta a prova dos pedidos anteriores e do silêncio ou da recusa, e pede uma pronúncia. Não é uma denúncia contra pessoas e não deve ser usada como primeiro recurso: a DGAV tem competência nacional e meios limitados, e exposições apresentadas antes de esgotado o caminho municipal costumam ser devolvidas ao ponto de partida.
Modelo pronto a preencher, no fim desta página: Requerimento formal por falta de resposta, Exposição à assembleia municipal, Exposição à DGAV
10.1. Duas vias paralelas
O Provedor de Justiça aprecia queixas de cidadãos contra a atuação ou a omissão dos poderes públicos, incluindo autarquias. É uma via gratuita, escrita e politicamente neutra, particularmente adequada a casos de silêncio prolongado.
A Secretaria de Estado com a tutela da área tem competência política e não decide casos individuais. Faz sentido como conhecimento de uma exposição, para que o problema seja conhecido, não como destinatário principal. Não espere que resolva o seu caso.
Modelos prontos a preencher
Requerimento formal por falta de resposta
Quando usar: Segundo degrau. Quando fez um pedido por escrito e não obteve resposta em tempo razoável.
A quem: Presidente da Câmara Municipal. Entregue com registo de entrada ou envie por carta registada com aviso de receção.
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de [município]
Assunto: Requerimento. Falta de resposta ao pedido apresentado em [data], registo de entrada n.º [número]
[Nome completo], residente em [morada], contacto [telefone] e [email], vem requerer o seguinte.
Em [data] apresentei junto desta Câmara Municipal um pedido relativo a [objeto do pedido], ao qual foi atribuído o registo de entrada n.º [número]. Decorridos [número] dias, não obtive qualquer resposta.
O Código do Procedimento Administrativo impõe à Administração o dever de decidir sobre todos os assuntos que lhe sejam apresentados pelos particulares, fixando prazo para o efeito. Venho, por isso, reiterar o pedido e solicitar que sobre ele seja proferida decisão expressa e fundamentada, que me deverá ser comunicada por escrito.
Recordo, quanto ao mérito, que [resumir em três ou quatro linhas o pedido e a sua justificação, sem repetir o documento anterior na íntegra].
Solicito ainda que me seja indicado o serviço responsável pela apreciação deste processo e o respetivo contacto.
Com os melhores cumprimentos,
[Local], [data]
[Assinatura]
Atenção: Junte cópia do pedido anterior e do respetivo comprovativo de entrega. É esse conjunto que constitui o seu processo.
Exposição à assembleia municipal
Quando usar: Terceiro degrau. Quando o requerimento formal também não teve resposta.
A quem: Presidente da Assembleia Municipal, com conhecimento ao presidente da câmara.
Dica: As sessões têm, em regra, período de intervenção do público. Uma exposição escrita, entregue e lida, fica em ata.
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de [município]
Assunto: Exposição sobre a gestão de colónias felinas no concelho
[Nome completo], residente em [morada], contacto [telefone] e [email], vem apresentar a presente exposição e solicitar que a mesma seja levada ao conhecimento da Assembleia.
Acompanho, desde [mês e ano], uma colónia felina situada em [localização], com cerca de [número] animais, assegurando a expensas próprias a sua alimentação e, sempre que possível, a sua esterilização e cuidados de saúde.
Em [data] apresentei à Câmara Municipal um pedido relativo a [objeto], com o registo de entrada n.º [número]. Em [data] apresentei requerimento a reiterar esse pedido, com o registo de entrada n.º [número]. Até à presente data não obtive qualquer resposta.
Recordo que a Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto, proibiu o abate de animais errantes como forma de controlo da população, privilegiando a esterilização, e que a Portaria n.º 146/2017, de 26 de abril, atribui às câmaras municipais competências em matéria de captura e de autorização e supervisão de programas de captura, esterilização e devolução.
A ausência de resposta tem consequências concretas: [descrever em três ou quatro linhas, com factos e números, o que aconteceu neste período, por exemplo o número de ninhadas, o crescimento do efetivo ou as despesas suportadas].
Solicito, por isso, que a Assembleia aprecie esta situação e que a Câmara Municipal seja instada a pronunciar-se.
Com os melhores cumprimentos,
[Local], [data]
[Assinatura]
Exposição à DGAV
Quando usar: Quarto degrau, e apenas quando os anteriores falharam e a situação tem gravidade objetiva.
A quem: Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, Direção de Serviços de Bem-Estar Animal, com conhecimento à câmara municipal.
Tom: Descreva factos e junte prova. Não é uma denúncia contra pessoas, é um pedido de pronúncia da autoridade nacional.
Exma. Senhora Diretora-Geral de Alimentação e Veterinária
Assunto: Exposição sobre a gestão de animais errantes no concelho de [município]
[Nome completo], residente em [morada], contacto [telefone] e [email], vem apresentar a presente exposição.
Acompanho, desde [mês e ano], uma colónia felina situada em [localização], no concelho de [município], com cerca de [número] animais, dos quais [número] esterilizados por minha iniciativa e a expensas próprias.
Apresentei junto da Câmara Municipal de [município] os seguintes pedidos, sem que tenha obtido resposta ou tendo obtido a resposta que se indica: em [data], [objeto], registo de entrada n.º [número], [sem resposta ou resposta obtida]; em [data], [objeto], registo de entrada n.º [número], [sem resposta ou resposta obtida]; em [data], exposição à Assembleia Municipal, [resultado].
Da situação descrita resultam as seguintes consequências para o bem-estar dos animais: [descrever com factos, por exemplo animais por esterilizar, ninhadas sucessivas, animais doentes sem assistência].
Solicito, por isso, a pronúncia dessa Direção-Geral sobre esta situação, no exercício das competências que lhe cabem em matéria de bem-estar dos animais de companhia, e que me seja comunicado o seguimento dado à presente exposição.
Junto cópia dos pedidos apresentados, dos respetivos comprovativos de entrega e das respostas obtidas.
Com os melhores cumprimentos,
[Local], [data]
[Assinatura]
Atenção: Confirme o nome de quem dirige a DGAV à data em que enviar. Em alternativa, dirija a exposição à Direção de Serviços de Bem-Estar Animal.
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Todos os capítulos
- Ser cuidador de uma colónia é ingrato · Uma carta do presidente da Animalife a quem cuida de colónias.
- Como usar este guia · Como consultar o guia e três coisas a saber antes de começar.
- 1. O que é uma colónia e o que diz a lei · O que é uma colónia, o fim do abate e o que é o programa CED.
- 2. Quem é responsável pelo quê · O que cabe à câmara, ao médico veterinário municipal, ao centro de recolha e a si.
- 3. O papel da junta de freguesia · O que a junta pode fazer por si, o plano de bem-estar animal e os abrigos.
- 4. O dinheiro existe · Os apoios da DGAV que existem, quanto valem e como chegam à sua colónia.
- 5. Ser reconhecido como cuidador · Como pedir para ser reconhecido pela câmara, passo a passo.
- 6. A colónia autorizada · O que muda quando a câmara autoriza a colónia e as regras a cumprir.
- 7. O que se espera de si · Os cinco cuidados que os serviços vão avaliar na sua colónia.
- 8. Em nome de quem ficam os gatos · Porque é que os gatos não devem ficar registados em seu nome.
- 9. Como pedir ajuda e a quem · A quem pedir, conforme o seu concelho, e como escrever o pedido.
- 10. Quando não respondem · Os passos a dar, um de cada vez, quando ninguém lhe responde.
- 11. Defender a colónia · Argumentos para vizinhos, condomínios, danos e ameaças.
- 12. Quando a colónia tem de sair · Quando uma mudança é legítima e o que pode propor em alternativa.
- 13. Organizarem-se: associação ou não · Quando vale a pena criar uma associação, e quando não vale.
- 14. Capturar e cuidar: onde aprender · Onde aprender a capturar e a cuidar: manuais e formação.
- 15. Como é noutros países · Como Espanha e Itália tratam quem cuida de colónias.
- 16. Onde procurar ajuda · Onde ir primeiro para cada tipo de problema.
Cuida de uma colónia de gatos? Responder ao questionário para cuidadores de colónias