Capítulo 9 de 16
Como pedir ajuda e a quem
A primeira coisa a fazer é descobrir em que situação está o seu concelho, porque o pedido certo é diferente em cada uma. Se não souber, pergunte aos serviços municipais ou consulte o apoioanimal.pt.
| Situação do concelho | A quem se dirige | O que faz sentido pedir |
|---|---|---|
| Não tem programa CED | Executivo municipal, com conhecimento ao médico veterinário municipal | Criação do programa CED e do registo de cuidadores. Entretanto, campanha de esterilização e apoio pontual. Procure também clínicas com valores protocolados e associações do distrito. |
| Tem programa gerido pela câmara | Gabinete médico-veterinário municipal e centro de recolha oficial | Reconhecimento como cuidador, autorização da colónia, esterilização dos animais da colónia, vacinação antirrábica, colocação de abrigos, sinalização de animais doentes. |
| Tem programa gerido por associação | Associação gestora, com conhecimento ao município | O mesmo, dirigido primeiro à associação. Só se não houver resposta é que se sobe ao município. |
| Modelo misto | Associação para a gestão, centro de recolha oficial para os atos clínicos | Acompanhamento e plano de gestão à associação; esterilização e antirrábica ao centro de recolha oficial. |
Modelo pronto a preencher, no fim desta página: Pedido de criação de programa CED no município
Em qualquer destes cenários, dê sempre conhecimento à junta de freguesia, e dirija-lhe diretamente aquilo que é do seu âmbito, designadamente a colocação de abrigos, a ocupação de espaço público e a inclusão da colónia no plano plurianual de bem-estar animal da freguesia, nos termos do capítulo 3. Um pedido que chega à câmara já conhecido pela junta chega com contexto e com alguém do lado de dentro que sabe do que se trata.
9.1. Como se escreve um pedido que não é ignorado
A diferença entre um pedido que é resolvido e um pedido que morre na caixa de correio raramente está na justiça da causa. Está na forma. Um pedido eficaz identifica quem escreve e como pode ser contactado, diz onde fica a colónia com precisão, quantos animais tem e quantos já estão esterilizados, o que pede em concreto e em que prazo, e invoca o enquadramento legal aplicável. Leva fotografias. E é enviado de forma que deixe prova, com registo de entrada ou por correio eletrónico com pedido de confirmação de receção.
Evite três coisas que fazem perder pedidos bons: o texto longo com a história toda, a acusação ao serviço logo na primeira mensagem, e o pedido vago do género preciso de ajuda com uns gatos. Peça uma coisa de cada vez, com números.
Todos os pedidos referidos ao longo do guia têm um modelo pronto a preencher, no fim do capítulo onde o assunto é tratado:
- Pedido de reconhecimento como cuidador (capítulo 5)
- Pedido de criação de registo de cuidadores (capítulo 5)
- Pedido de autorização de colónia (capítulo 6)
- Pedido de Termo de Responsabilidade (capítulo 5)
- Pedido de criação de programa CED no município (capítulo 9)
- Pedido de esterilização de animais da colónia (capítulo 2)
- Pedido de abrigos e de ocupação de espaço público (capítulo 3)
- Pedido de audição no plano plurianual de bem-estar animal (capítulo 3)
- Pedido de apoio em alimentação e material (capítulo 4)
- Pedido de apoio a uma associação (capítulo 9)
- Sinalização de animal errante doente ou ferido (capítulo 7)
- Participação de maus-tratos, envenenamento ou morte de animais (capítulo 11)
- Requerimento formal por falta de resposta (capítulo 10)
- Exposição à assembleia municipal (capítulo 10)
- Exposição à DGAV (capítulo 10)
- Pedido de transferência da titularidade do registo (capítulo 8)
9.2. Pedir a uma associação
As associações não têm obrigação legal de responder e estão quase todas no limite da sua capacidade. Um pedido que assume isso à partida tem muito mais hipóteses. Diga o que já fez sozinho, diga exatamente do que precisa, e diga o que consegue fazer da sua parte, seja transportar os animais, seja acompanhar a captura, seja fazer o recobro em sua casa. Um cuidador que chega com trabalho feito e com disponibilidade é ajuda, não é mais um problema.
Modelo pronto a preencher, no fim desta página: Pedido de apoio a uma associação
Para encontrar as associações do seu distrito e as suas áreas de atuação, consulte o diretório do apoioanimal.pt.
Modelos prontos a preencher
Pedido de criação de programa CED no município
Quando usar: Quando o concelho não tem programa CED. É o modelo com maior impacto se for subscrito por várias pessoas.
A quem: Presidente da Câmara Municipal, com conhecimento ao médico veterinário municipal e à junta de freguesia.
O que juntar: Lista das colónias conhecidas no concelho, com número estimado de animais, e as assinaturas de todos os subscritores.
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de [município]
Assunto: Pedido de implementação de um programa de captura, esterilização e devolução (CED) no concelho
Os signatários, residentes no concelho de [município], vêm solicitar a implementação de um programa de captura, esterilização e devolução de gatos errantes, ao abrigo do disposto na Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto, e no artigo 9.º da Portaria n.º 146/2017, de 26 de abril.
A Lei n.º 27/2016 proibiu o abate de animais errantes como forma de controlo da população, determinando que a resposta passa pela esterilização, e prevê expressamente a concretização de programas CED para gatos. A Portaria n.º 146/2017 estabelece que estes programas podem realizar-se por iniciativa da câmara municipal ou mediante proposta de organização de proteção animal a quem a câmara atribua a respetiva gestão.
No concelho de [município] existem, tanto quanto nos é possível apurar, pelo menos [número] colónias conhecidas, com um efetivo estimado de [número] animais. Estes animais são atualmente alimentados e vigiados por particulares, a expensas próprias e sem qualquer enquadramento, e uma parte significativa não se encontra esterilizada, o que mantém a população em crescimento.
A implementação de um programa CED permitiria estabilizar estas populações, reduzir de forma progressiva o número de animais, diminuir as queixas associadas a ruído, odores e ninhadas, e responder às obrigações que a lei comete aos municípios em matéria de controlo de animais errantes.
Mais informamos que existem apoios financeiros nacionais atribuídos anualmente pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, aos quais os municípios e as freguesias se podem candidatar, designadamente para esterilização, identificação eletrónica, alimentação e criação de abrigos no âmbito de programas CED.
Manifestamos disponibilidade para colaborar na identificação das colónias, na captura dos animais e na sua vigilância, e solicitamos que nos seja comunicada a decisão sobre o presente pedido.
Com os melhores cumprimentos,
[Local], [data]
[Nome, morada e assinatura de cada subscritor]
Pedido de apoio a uma associação
Quando usar: Para pedir colaboração a uma associação do seu distrito, em capturas, esterilizações ou adoção.
A quem: Associação de proteção animal. Encontre as do seu distrito no diretório do apoioanimal.pt.
Exmos. Senhores,
Assunto: Pedido de colaboração no acompanhamento de uma colónia felina em [concelho]
Chamo-me [nome completo] e acompanho, desde [mês e ano], uma colónia felina situada em [localização], no concelho de [concelho], com cerca de [número] animais, dos quais [número] já esterilizados por minha iniciativa e a expensas próprias.
Sei que a vossa capacidade é limitada e que recebem muitos pedidos, pelo que procuro ser concreto quanto ao que peço e quanto ao que posso assegurar da minha parte.
Preciso de apoio em [esterilização de X animais, empréstimo de armadilhas, encaminhamento para adoção de X animais dóceis, ou outro].
Da minha parte posso assegurar [transporte dos animais, colaboração na captura, recobro em minha casa, jejum prévio, acompanhamento no dia, ou outro].
No meu concelho, [existe ou não existe] programa de captura, esterilização e devolução, e [já contactei ou ainda não contactei] os serviços municipais sobre esta colónia, com o seguinte resultado: [descrever em duas linhas].
Fico ao vosso dispor para qualquer esclarecimento e agradeço, desde já, o trabalho que fazem.
Com os melhores cumprimentos,
[Local], [data]
[Nome e contacto]
← 8. Em nome de quem ficam os gatos · 10. Quando não respondem →
Todos os capítulos
- Ser cuidador de uma colónia é ingrato · Uma carta do presidente da Animalife a quem cuida de colónias.
- Como usar este guia · Como consultar o guia e três coisas a saber antes de começar.
- 1. O que é uma colónia e o que diz a lei · O que é uma colónia, o fim do abate e o que é o programa CED.
- 2. Quem é responsável pelo quê · O que cabe à câmara, ao médico veterinário municipal, ao centro de recolha e a si.
- 3. O papel da junta de freguesia · O que a junta pode fazer por si, o plano de bem-estar animal e os abrigos.
- 4. O dinheiro existe · Os apoios da DGAV que existem, quanto valem e como chegam à sua colónia.
- 5. Ser reconhecido como cuidador · Como pedir para ser reconhecido pela câmara, passo a passo.
- 6. A colónia autorizada · O que muda quando a câmara autoriza a colónia e as regras a cumprir.
- 7. O que se espera de si · Os cinco cuidados que os serviços vão avaliar na sua colónia.
- 8. Em nome de quem ficam os gatos · Porque é que os gatos não devem ficar registados em seu nome.
- 9. Como pedir ajuda e a quem · A quem pedir, conforme o seu concelho, e como escrever o pedido.
- 10. Quando não respondem · Os passos a dar, um de cada vez, quando ninguém lhe responde.
- 11. Defender a colónia · Argumentos para vizinhos, condomínios, danos e ameaças.
- 12. Quando a colónia tem de sair · Quando uma mudança é legítima e o que pode propor em alternativa.
- 13. Organizarem-se: associação ou não · Quando vale a pena criar uma associação, e quando não vale.
- 14. Capturar e cuidar: onde aprender · Onde aprender a capturar e a cuidar: manuais e formação.
- 15. Como é noutros países · Como Espanha e Itália tratam quem cuida de colónias.
- 16. Onde procurar ajuda · Onde ir primeiro para cada tipo de problema.
Cuida de uma colónia de gatos? Responder ao questionário para cuidadores de colónias