Capítulo 12 de 16
Quando a colónia tem de sair
É o cenário que mais assusta quem cuida, e com razão. Uma obra projetada, uma estrada movimentada, uma série de envenenamentos, e de repente a colónia que estabilizou ao longo de anos tem de mudar de sítio ou desaparecer. Vale a pena saber o que é legítimo, o que se pode propor em alternativa e o que se pode exigir.
12.1. Os fundamentos legítimos
Há três situações reconhecidas em que a relocalização de uma colónia se justifica: perigo para a segurança rodoviária e para a integridade física dos animais, execução de uma obra pública ou privada no local, e perigo ou suspeita séria de envenenamento ou morte provocada dos gatos da colónia. Fora destes casos, a remoção pura e simples por incómodo não tem fundamento legal, como se explicou no capítulo anterior.
E note que a terceira razão joga a favor dos animais: se há envenenamentos na zona, a saída pode ser a melhor proteção, por muito que custe.
12.2. O que propor antes de aceitar a remoção
Relocalizar uma colónia inteira é uma operação difícil, com impacto sério no bem-estar de animais que são territoriais e que foram escolhidos para viver ali. Por isso a primeira proposta deve ser sempre a menos drástica: deslocar gradualmente o ponto de alimentação para um local próximo e seguro, o que muitas vezes resolve o problema sem retirar os gatos do território que conhecem.
Se a obra inviabilizar mesmo a permanência, peça um calendário por escrito, peça que a captura seja feita com a antecedência necessária e não em cima da máquina a chegar, e ofereça-se para colaborar, porque ninguém conhece aqueles animais como quem os alimenta há anos. Peça também que o médico veterinário municipal avalie o local de destino antes da mudança.
12.3. Soluções que já existem no país
Vale a pena conhecê-las, porque permitem propor em vez de apenas protestar. Em Sintra, a câmara municipal instalou em 2009, na Quinta da Regaleira, um espaço que alojou cerca de uma centena de gatos, e que continua operacional como espaço de acolhimento de gatos silvestres, sobretudo de colónias de risco. Em Silves, os gatos de colónias sem cuidador ou em situação de risco são colocados nas instalações da Quinta Pedagógica, um equipamento municipal vedado, com abrigos, comedouros e bebedouros, onde a alimentação é assegurada por um funcionário e a monitorização pelo gabinete médico-veterinário.
São precedentes municipais, não são exceções irrepetíveis. Um município que tenha um parque, uma quinta pedagógica ou um espaço vedado pode fazer o mesmo, e saber que outros já fizeram muda a conversa.
← 11. Defender a colónia · 13. Organizarem-se: associação ou não →
Todos os capítulos
- Ser cuidador de uma colónia é ingrato · Uma carta do presidente da Animalife a quem cuida de colónias.
- Como usar este guia · Como consultar o guia e três coisas a saber antes de começar.
- 1. O que é uma colónia e o que diz a lei · O que é uma colónia, o fim do abate e o que é o programa CED.
- 2. Quem é responsável pelo quê · O que cabe à câmara, ao médico veterinário municipal, ao centro de recolha e a si.
- 3. O papel da junta de freguesia · O que a junta pode fazer por si, o plano de bem-estar animal e os abrigos.
- 4. O dinheiro existe · Os apoios da DGAV que existem, quanto valem e como chegam à sua colónia.
- 5. Ser reconhecido como cuidador · Como pedir para ser reconhecido pela câmara, passo a passo.
- 6. A colónia autorizada · O que muda quando a câmara autoriza a colónia e as regras a cumprir.
- 7. O que se espera de si · Os cinco cuidados que os serviços vão avaliar na sua colónia.
- 8. Em nome de quem ficam os gatos · Porque é que os gatos não devem ficar registados em seu nome.
- 9. Como pedir ajuda e a quem · A quem pedir, conforme o seu concelho, e como escrever o pedido.
- 10. Quando não respondem · Os passos a dar, um de cada vez, quando ninguém lhe responde.
- 11. Defender a colónia · Argumentos para vizinhos, condomínios, danos e ameaças.
- 12. Quando a colónia tem de sair · Quando uma mudança é legítima e o que pode propor em alternativa.
- 13. Organizarem-se: associação ou não · Quando vale a pena criar uma associação, e quando não vale.
- 14. Capturar e cuidar: onde aprender · Onde aprender a capturar e a cuidar: manuais e formação.
- 15. Como é noutros países · Como Espanha e Itália tratam quem cuida de colónias.
- 16. Onde procurar ajuda · Onde ir primeiro para cada tipo de problema.
Cuida de uma colónia de gatos? Responder ao questionário para cuidadores de colónias