Capítulo 7 de 16
O que se espera de si
Este guia trata dos seus direitos e existe porque o sistema é injusto consigo. Mas há uma parte que é sua, e ignorá-la seria fazer-lhe um mau serviço, porque é dela que depende quase tudo: a sobrevivência da colónia, a paz com os vizinhos e a credibilidade que tem quando pede alguma coisa.
A gestão de uma colónia organiza-se em cinco controlos. Não são invenção nossa: são o que os serviços veterinários municipais usam para avaliar se uma colónia está bem gerida, e é por eles que o vão julgar.
| Controlo | O que significa |
|---|---|
| Reprodução | Esterilizar todos, ou quase todos, os animais da colónia, machos e fêmeas. Esterilizações a conta-gotas não controlam nada: bastam duas fêmeas por esterilizar para o esforço de um ano se perder. |
| Migração | Gatos perdidos, abandonados e crias ainda sociáveis não devem ser integrados na colónia. Devem ser identificados, retirados e encaminhados para adoção. Uma colónia não é depósito de gatos descartados nem alternativa à falta de lugar no centro de recolha. |
| Alimentação | Alimentar sempre no mesmo local e à mesma hora, na quantidade indicada pelo médico veterinário e de preferência com ração. Nada de restos de comida. Retirar o comedouro depois de os gatos comerem, o que evita atrair cães e outros animais e as lutas que daí resultam. |
| Salubridade | Mudar a água com frequência, manter bebedouros em locais pouco visíveis e nunca deixar alimentos ou embalagens no chão. Não é só higiene: comedouros deixados à vista denunciam a colónia, e os envenenamentos são mais frequentes precisamente aí. |
| Saúde | Conhecer os sinais das doenças mais comuns para poder informar bem o médico veterinário. Chamar cedo demais por qualquer letargia desgasta a relação; chamar tarde obriga a internamentos longos, que são péssimos para um gato assilvestrado. |
7.1. Os seus deveres perante quem gere a colónia
Além dos cinco controlos, há obrigações de informação que a lei coloca sobre a entidade responsável pela colónia e que, na prática, só se cumprem se o cuidador colaborar. Comunique sempre que entrar um animal novo ou desaparecer um que lá estava. Comunique doenças, acidentes e óbitos. Mantenha um registo simples, com datas, do que vai acontecendo. É esse registo que permite demonstrar, mais tarde, que a colónia está estabilizada.
Modelo pronto a preencher, no fim desta página: Sinalização de animal errante doente ou ferido
E há uma regra que decide o sucesso de uma captura: ninguém alimenta os gatos nas vinte e quatro horas anteriores. É a falha mais comum e deita por terra uma noite inteira de trabalho de várias pessoas, além de obrigar a remarcar cirurgias. Esta informação não é importante só para si. Combine isto com toda a gente que dá comida na zona.
Modelo pronto a preencher
Sinalização de animal errante doente ou ferido
Quando usar: Perante um animal errante doente, ferido ou acidentado. Em caso de urgência, telefone primeiro e envie a mensagem a seguir.
A quem: Centro de recolha oficial do concelho, com conhecimento ao médico veterinário municipal.
O que juntar: Fotografia e localização exata. Sem estas duas coisas, o pedido dificilmente é tratado.
Exmos. Senhores,
Assunto: Sinalização de animal errante que necessita de assistência, em [localização]
Venho comunicar a existência de um animal errante que necessita de assistência médico-veterinária, com os seguintes elementos.
Local exato: [morada ou ponto de referência, freguesia]. Data e hora em que foi observado: [data e hora].
Espécie e descrição: [gato ou cão, cor, porte, sinais distintivos, se tem corte na orelha esquerda].
Estado observado: [descrever o que se vê, sem diagnosticar: ferimento visível, dificuldade em andar, prostração, olhos fechados, magreza extrema, ou outro].
Comportamento: [aproxima-se de pessoas ou foge, é possível ou não capturá-lo com transportadora].
Junto fotografia. O meu contacto é [telefone] e [email], e posso acompanhar os serviços ao local e indicar exatamente onde o animal se encontra.
Agradeço que me seja comunicado o seguimento dado a esta sinalização.
[Local], [data]
[Nome]
Atenção: Se houver suspeita de maus-tratos ou de envenenamento, não use este modelo. Use o modelo Participação de maus-tratos, envenenamento ou morte de animais e contacte de imediato as autoridades policiais.
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Todos os capítulos
- Ser cuidador de uma colónia é ingrato · Uma carta do presidente da Animalife a quem cuida de colónias.
- Como usar este guia · Como consultar o guia e três coisas a saber antes de começar.
- 1. O que é uma colónia e o que diz a lei · O que é uma colónia, o fim do abate e o que é o programa CED.
- 2. Quem é responsável pelo quê · O que cabe à câmara, ao médico veterinário municipal, ao centro de recolha e a si.
- 3. O papel da junta de freguesia · O que a junta pode fazer por si, o plano de bem-estar animal e os abrigos.
- 4. O dinheiro existe · Os apoios da DGAV que existem, quanto valem e como chegam à sua colónia.
- 5. Ser reconhecido como cuidador · Como pedir para ser reconhecido pela câmara, passo a passo.
- 6. A colónia autorizada · O que muda quando a câmara autoriza a colónia e as regras a cumprir.
- 7. O que se espera de si · Os cinco cuidados que os serviços vão avaliar na sua colónia.
- 8. Em nome de quem ficam os gatos · Porque é que os gatos não devem ficar registados em seu nome.
- 9. Como pedir ajuda e a quem · A quem pedir, conforme o seu concelho, e como escrever o pedido.
- 10. Quando não respondem · Os passos a dar, um de cada vez, quando ninguém lhe responde.
- 11. Defender a colónia · Argumentos para vizinhos, condomínios, danos e ameaças.
- 12. Quando a colónia tem de sair · Quando uma mudança é legítima e o que pode propor em alternativa.
- 13. Organizarem-se: associação ou não · Quando vale a pena criar uma associação, e quando não vale.
- 14. Capturar e cuidar: onde aprender · Onde aprender a capturar e a cuidar: manuais e formação.
- 15. Como é noutros países · Como Espanha e Itália tratam quem cuida de colónias.
- 16. Onde procurar ajuda · Onde ir primeiro para cada tipo de problema.
Cuida de uma colónia de gatos? Responder ao questionário para cuidadores de colónias